Estratégias de leitura na formação do leitor crítico

É imprescindível o desenvolvimento do processo de leitura por meio de estratégias para que os alunos tornem-se leitores críticos e cidadãos atuantes. Desse modo, o presente artigo tem por objetivo discutir alguns procedimentos que podem ser adotados pelos professores do ensino fundamental e médio, no sentido de desenvolver um trabalho de leitura crítica com diferentes gêneros textuais em sala de aula, o que vem ao encontro da proposta dos PCNs. Tratar de linguagem é uma tarefa complexa, pois pressupõe não apenas o monitoramento de aspectos lingüísticos, mas também aspectos cognitivos e sociais.Essas três dimensões indissociáveis na linguagem devem ser consideradas como base aos estudos lingüísticos. No entanto, para atingir tal dimensão depende de como a linguagem e a língua são concebidas pelos profissionais que delas se ocupam. Nesse sentido, Travaglia (2002, p. 21-23) ressalta a existência de três possibilidades de concepções de linguagem, a saber:
a) linguagem como expressão do pensamento - nessa acepção as pessoas exteriorizam, por meio da linguagem, o que é construído no interior da mente;
b) linguagem como instrumento de comunicação - a linguagem, nessa concepção, é vista como um código, isto é, um conjunto de signos que combinados são capazes de transmitir informações ou mensagens aos receptores;
c) linguagem como processo de interação - nessa concepção, a linguagem além de exteriorizar o pensamento e transmitir informações, realiza ações, age e atua sobre o ouvinte/leitor, promovendo a interação comunicativa por meio da produção de sentidos entre os interlocutores em um contexto sócio-histórico e ideológico.
Algumas estratégias

O professor como mediador e facilitador no processo ensino-aprendizagem deve promover algumas estratégias de leitura como, por exemplo, ativar o conhecimento prévio do aluno por meio de determinadas perguntas que tenham relação com o que vai lido, levar o aluno a distinguir o essencial do que é pouco relevante, esquematizando uma hierarquização, para construir o significado global do texto. Para isso, é fundamental o aluno saber qual o objetivo da leitura, para poder avaliar e reformular, se necessário, as idéias iniciais. Além disso, o professor pode instigá-lo a interagir com o texto, criando expectativas ou, ainda, fazendo previsões. Esses procedimentos, a princípio, devem ser feitos com o auxílio do professor, o que mais tarde, deve tornar-se um hábito no aluno.
Solé (1998) ao destacar algumas das estratégias mais empregadas nas aulas de leitura, destaca que, mesmo dentro das principais estratégia mencionadas, pode-se apresentar ainda as seguintes variações:
1) Os objetivos da leituras, dependendo da situação, podem servir para: a) obter uma informação precisa; b) obter uma informação de caráter geral; c) revisar um escrito próprio para comunicação; e) praticar em voz alta; f) verificar o que se compreendeu.
2) Em relação a ativar o conhecimento prévio pode: a) ser dada uma explicação geral por parte da professora sobre o que será lido; b) instigar o aluno a prestar atenção a determinados aspectos do texto que podem ativar seu conhecimento; c) incentivar os alunos a expor o que já sabem sobre o assunto em discussão com o grande grupo.
3) Estabelecer previsões sobre o texto seria formular hipóteses sobre a continuidade textual. Nessa atividade, sugere-se omitir a seqüência do texto e solicitar aos alunos que formulem hipóteses.
4) Incentivar os alunos a fazerem perguntas pertinentes sobre o texto, as quais devem ser reformuladas, se necessário, pelo professor. Eles devem ser instigados, paulatinamente, a fazer seus próprios questionamentos, o que implica autodirecionamento.
Para complementar e elucidar a idéia de leitura crítica, Wallace (1992, pg. 71) destaca alguns questionamentos que devem ser feitos na leitura de qualquer gênero textual. Entre eles: Quem está escrevendo o texto?; Para quem se está escrevendo?;Por que esse tópico foi abordado?; Como esse tópico foi abordado?; De que outra maneira esse tópico poderia ter sido abordado?
Contudo, sabe-se que uma leitura nas entrelinhas envolve muito mais do que respostas a determinadas perguntas. Uma leitura crítica exige uma consciência, por parte do leitor, que leve em consideração também os aspectos históricos, sociais, culturais e ideológicos que estão subjacentes à linguagem do texto.
Nesse sentido, as estratégias de leitura, além de levar o aluno a raciocinar, devem ser vistas como meios à progressiva interiorização do processo de desenvolvimento de uma leitura crítica. Solé (1998, p.114) enfatiza que as atividades feitas antes da leitura tem a finalidade de:

a) suscitar o aluno a descobrir as diversas utilidades da leitura;

b) proporciona-lhe recursos naturais para enfrentar o ato de ler;

c) transformá-lo em leitor crítico.

Assim, as estratégias de leitura podem ser aplicadas separadas ou simultaneamente em qualquer texto, que se materializa em um dos vários gêneros textuais que tramitam em nossa sociedade e que será objeto de exploração na seqüência. Assim, acredita-se que os aprendizes produziriam textos com maior facilidade, pois teriam como base seus próprio textos, ou ainda, gêneros que veiculam no próprio lar ou na sociedade. Esses elementos poderiam promover um maior interesse dos alunos, aumentar suas potencialidade para produzir textos variados com determinadas formas, função e argumentos convincente e escritos com objetivos reais, pois se estaria priorizando situações reais e contextualizadas de língua, que privilegia o aspecto sóciointerativo da linguagem no processo de ensino-aprendizagem, o que seria natural, por isso, mais significativo.




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